Overkill #3b – Portáteis: JOGUE-OS ou deixe-os

Neste Overkill, dessa vez em texto, Erick Seika e Mateus Lima discutem suas experiências com videogames portáteis e te ajudam a responder à difícil pergunta: afinal, os portáteis funcionam pra você?

Confira aqui porque Erick não tira seu DS do bolso:


O Meu Amor Pelos Videogames Portáteis

Não me entenda mal pelo título deste texto, não quero praguejar contra quem não gosta dos portáteis nem dizer que são melhores que os consoles de mesa. Minha intenção é explicar porque eu gosto tanto dos videogames portáteis, e porque você poderia gostar também.

Meu primeiro portátil, se a gente desconsiderar aqueles 1000 em 1 importados da China com as versões mais absurdas de Tetris, foi um GameBoy Color com Pokemon Red. Na época eu tinha um Super Nintendo e um N64, e os jogava muito, mas o Gameboy Color me fascinou: a qualquer hora, a qualquer lugar, eu podia checar meus pokemons, progredir um pouco na história, levar pra casa do meu amigo e mostrar pra ele o meu
progresso.

E onde eu jogava meu Gameboy Color? Depende. Às vezes joguei na rua, algumas vezes no onibus, outras na casa dos parentes e amigos. Mas na maior parte do tempo, joguei deitado, sozinho, no meu quarto. Isso pode parecer estranho, porque eu, assim como o Mateus, também me deixo distrair fácil. Mas com o portátil em mãos, era como se eu estivesse lendo um livro: naquela pequena telinha, na época só com 4 tons de cores, eu ficava totalmente imerso.

O tempo passou, pulei o Gameboy Advance (que me contentei em jogar demais no emulador na casa de amigos), e peguei um DS. E Um pouco depois, um PSP. E esses dois consoles, e principalmente suas diferenças, me fizeram pensar em porque – e DO QUE – eu gosto tanto
dos portáteis. Vou tentar explicar:

1) A boa e velha nostalgia: na época do gameboy color, contemporâneo do super nintendo e do início da geração 32bit, os jogos que eu tinha pro portátil – Megaman 4, Kirby Dreamland, Pokemon, entre outros – eram uma bela maneira de lembrar do NES. Hoje, como eu disse, o DS é um autêntico sucessor dos consoles da era 16/32bit, numa época em que (e não achei quem me convença do contrário) pouquíssimas pessoas jogariam algo desse estilo num console de mesa.

Nesse sentido, o PSP errou feio. Investiu pesado em gráficos e jogos épicos e grandiosos,e  lançou vários títulos “dignos de um PS2″. Sabe o que também é digno de um PS2? JOGOS DE PS2 P*RRA! A mesma coisa acontece hoje em dia com o PSVITA e também com o 3DS: Uncharted Golden
Abyss tem gráficos semelhantes aos de um PS3: ENTÂO PRA QUE EU OU QUERER JOGAR NUMA TELINHA RIDÍCULA EM VEZ DE JOGAR NA MINHA TV DE 50 POLEGADAS?

2) Cada coisa em seu lugar: não é todo tipo de jogo que “combina” com os portáteis. Há jogos que precisam de uma tela maior, de um arcabouço gráfico e sonora mais amplo, de uma disTãncia maior de contemplação. Não pega bem jogar um Modern Warfare, um Uncharted, um Kid Icarus Uprising num portátil. E não é só isso: alguns jogos precisam de um controle mais preciso, de um “grip” mais seguro: imagino que jogar Super Street Fighter 4 num portátil não seja agradável. Mas quando eu digo que tem “tipos de jogos” que funcionam bem em portáteis, não tô falando de jogos descerebrados só pra passar o tempo. Estou falando de adventures, plataformas, rpgs clássicos, puzzles, jogos com elementos colecionáveis, jogos de “missões”, jogos focados em história em texto, são alguns exemplos que funcionam e que
não ficariam bem em consoles de mesa. Imagine-se jogando Ace Attorney, Pokemon ou LocoRoco na TV da sala – nada a ver, certo?

3) Proximidade é tudo: se você namora, sabe que não dá pra ficar falando com a sua namorada só por telefone. Pra algumas coisas, é essencial uma proximidade maior, RIGHT? Nos portáteis, a proximidade com a tela e com o que está acontecendo é um fator que os consoles de mesa não proporcionam, a não ser que você seja um maluco que joga com a cara grudada na televisão. E isso traz uma imersão diferente (não maior nem menor, só diferente) da que os consoles de mesa proporcionam.

4) Colecionando figurinhas: antes meu bolso vivia cheio de tazos, figurinhas, bottons, e outras coisas que eu leava por aí pra trocar e brincar com meus amiguinhos. Hoje eu carrego no bolso pokemons, bottons de The World Ends With You, e outras coisas que têm a mesma função: COLECIONAR. Sempre gostei de fazer isso e nada como um portátil pra possibilitar pequenos avanços nas horas mais inusitadas nas minhas coleções – além da facilidade em trocar e mostrá-las por ái.

Eses são algus fatores, mas não sao os únicos. Não digo que os jogos pra portáteis tenham a mesma imersão e proporcionem a mesma experiência que os consoles de mesa. São coisas muito diferentes e o grande erro é tentar igualá-las.

E se você não curte portáteis e nem joga bastante neles, talvez seja porque não gosta desse tipo de experiência ou dos tipos de jogo que melhor se encaixam nos consoles de bolso. Ou talvez esteja jogando os jogos errados…

 

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